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 Ter fé é sentir-se bem?


   

Estamos no Ano da Fé. Sem fé é impossível agradar a Deus. Hb.11,6. Quem crer será salvo e quem não crer será condenado. Mc.16,16. Seja feito segundo a tua fé. Mt. 9,29. Estas expressões do evangelho nos mostram a importância decisiva da fé.  Está em jogo nossa salvação ou condenação.

 

                Hoje respiramos uma cultura do emocional subjetivo. O critério da maioria hoje é: “eu gosto, eu não gosto, eu me sinto bem”, eu tenho ou não tenho vontade. A verdade e o bem verdadeiro, se custarem renúncia e sacrifício, são rejeitados. Isto porque o homem se considera o centro, o valor maior, o autor da verdade e da moral. Para muitos Deus não conta.

 

                Meditando Gen. 22, onde se narra a provação de Abrão, vi a necessidade de conversão para sair da dormência da consciência anestesiada pelo sensível. Ali Abrão considerava Deus como o seu criador e era movido não pelo “sentir-se bem”, mas pela obediência a Deus, primeiro valor de sua vida. Senão vejamos.

 

                Abrão sentiu-se muito mal em seu coração de pai, quando Deus lhe disse: “Toma teu filho único, Isaac, que tanto amas e oferece-o em sacrifício...”. Abraão sentiu-se muito mal quando, subindo o monte, levando o fogo, a faca e a lenha, o filho Isaac lhe perguntou: “Pai, onde está a vítima para o holocausto”? Renovando sua adesão a Deus, com fé, Abrão respondeu: “Deus providenciará”. Chega ao alto do monte, Abrão monta um altar de pedra, coloca a lenha em cima dele, mas Deus não providenciava a vítima e ele, mesmo tendo o coração partido pelo sentimento de pai, amarrou as mãos do filho e colocou-o sobre a lenha.

 

                Imaginem como Abrão sentia-se mal e até podia justificar-se para desobedecer a Deus, argumentando: Como pode Deus, que prometeu tornar-me pai de uma grande descendência, pedir que eu imole meu filho único, sendo eu e minha esposa, já bem idosos? Crer é obedecer a Deus, mesmo que as suas ordens sejam aparentemente contraditórias e opostas aos nossos sentimentos. Crer é obedecer a Deus indo além da lógica humana. Deus sabe mais do que nós e nos ama.

 

                Quando Abrão, com a faca na mão erguida, ia imolar o filho, Deus gritou e lhe disse: “Abrão, Abrão, não estendas a mão contra o menino e não lhe faças mal algum. Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu único filho”. Abrão viu um carneiro preso pelos chifres num espinheiro e ofereceu o animal no lugar do seu filho. Deus providenciara a vítima para o holocausto. E Deus lhe disse: “Juro por mim mesmo, já que agiste deste modo e não me recusaste teu único filho, eu te abençoarei e tornarei tua descendência numerosa como as estrelas do céu. Todas as nações da terra serão abençoadas porque me obedeceste”.


                Imaginem como Abrão sentiu-se bem, sentiu-se muito bem, feliz e fonte de bênção para as gerações vindouras porque teve uma fé obediente a Deus, acreditando no seu amor apesar de situações emocionais extremas. Mas para chegar a esta verdadeira felicidade soube antepor Deus aos apelos de sua sensibilidade.

 

                Agora podemos responder à pergunta inicial: Ter fé não é sentir, mas obedecer a Deus na certeza de que Ele nos dará felicidade e alegria verdadeiras, muito maiores do que as emoções dos sentidos.  Ter fé é deixar-se dirigir por Deus, mesmo quando sua vontade conflita com nossos sentimentos. Senhor, eu creio, mas aumenta a minha fé.  


Fonte: Padre Sílvio Mocelin
Postado em: 13/07/2013 às 12:09:36



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