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 Educação vem do berço


   

Os filhos de hoje são todos lindos. Os pais capricham no visual do único ou dos dois que têm. Para os oito ou dez de outrora não havia isso. Não sobrava tempo nem dinheiro. Mas cada um recebia séria formação, sob o olhar atento e cuidado permanente. Coisa que hoje muitos esquecem. Fiz esta reflexão há doze anos, mas considero-a ainda atual.



Era domingo cedo. O homem pegou o jornal no jardim da bela residência e passava os olhos pelas manchetes. Foi quando viu um matinho à toa, na base da calçada, no fundo da casa. Como foi nascer ali, numa fenda do concreto? Qualquer hora eu o arranco, pensou o homem.



Após algum tempo, comprou uma chácara. Seus fins de semana tornaram-se bucólicos, como dizia. Os meninos não, mas ele e a mulher, por nada deste mundo, dispensavam a semanal fuga para o silêncio do campo. A rica mansão deixou de merecer a atenção de antes.



Anos depois, verificou que o matinho verde de um dia – na verdade, uma seringueira, aquela árvore que não produz borracha, mas se torna imensa – tinha rachado calçada, parede e ameaçava a estrutura da casa.



Historinha besta, dirá o gentil leitor. Imagine se alguém deixaria passar tanto tempo sem notar o risco que corria uma casa que custou tanto. É verdade. Quando há dinheiro em jogo, a gente cuida. Em se tratando de outros valores, nem se preocupa.



Muitos pais percebem, tarde demais, que perderam a melhor oportunidade de marcar presença na vida dos filhos. Não que não tivessem notado alguma plantinha a ser arrancada, com doçura, mas com firmeza, quando eram duas folhinhas de nada. Nem que não sentissem necessidade de transmitir valores humanos essenciais. Mas o nenê era tão pequenino...



A tarefa de educar começa no ventre materno, todos já ouviram. Mas quem acredita? Parece só afirmação de psicólogo em congresso. Pais reagem: “Ah, vá! Não preciso de palpite. Ninguém conhece melhor meu filho do que eu”.



Quando os filhos atingem cinco ou seis anos, já fervilham preocupações e incertezas. Aos doze ou quinze, muitos pais se reconhecem francamente perdidos. Não raro, percebem que a belíssima casa, construída com tanto dinheiro, abriga um bando de desconhecidos. Está ameaçada pela ruína, que se vai instalando gradativa e irremediavelmente. O sonhado “lar, doce lar”, da placa fixada na parede da cozinha, converteu-se num espaço de solidão do qual cada um se esforça por se livrar o mais cedo que pode.



Princípios de solidez familiar – religiosos, éticos, sociais, comunitários... –, como chuva fina, só muito lentamente, conseguem impregnar os coraçõezinhos, moldando-os à semelhança do que experimentam em casa. É inútil esperar que crianças e jovens assimilem valores que não veem na prática dos pais.



Parece que a mania de recorrer à terceirização penetrou em nossas famílias também no que diz respeito à educação. Se não em todas, pelo menos em muitas. A babá, a creche, a TV, o(a) coleguinha, o(a) professor(a), o(a) catequista, o dirigente religioso, o psicólogo – estes são, para muitos pais, os que têm a incumbência de assumir o papel de seus convenientes substitutos. De dispensá-los da responsabilidade de presença e modelo para os filhos.



Trazer filhos ao mundo é compromisso íntimo, absolutamente pessoal. Não se delega. Formar bem a personalidade deles também não. Pai e mãe podem correr atrás dos recursos mais sofisticados que quiserem. Se falharem como educadores, babau!



Padre Orivaldo Robles é sacerdote na Arquidiocese de Maringá-PR


Fonte: www.arquimaringa.org.br
Postado em: 13/05/2013 às 23:32:25



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